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A vocação de Maria: Exemplo de Fidelidade

A vocação de Maria: Exemplo de Fidelidade

Todos são chamados a viver a fidelidade a partir da sua vocação batismal, ou seja, todo o cristão deve ser fiel a Cristo.

Com Maria podemos aprender como viver esta fidelidade, para sermos fiéis a alguém é preciso que lhe manifestemos amor. E para amá-lo temos de conhecê-lo. Maria é a expressão mais plena da fidelidade perfeita ao Espírito Santo e à Sua ação na alma, é a expressão da fidelidade que significa cooperar perseverantemente com a graça da vocação.

Cada mãe é transparência do amor, é domicílio de ternura, é fidelidade que não abandona, porque uma verdadeira mãe ama, mesmo quando não é amada.

Por isso, junto da Mãe do Senhor imploramo-la: Mostra-nos Jesus! Mostra a nós, peregrinos, Aquele que é ao mesmo tempo o caminho e a meta: a verdade e a vida.

Precisamos de Deus, daquele Deus que nos mostrou o seu rosto e abriu o seu coração: Jesus Cristo. João, justamente, afirma que Ele é o Deus Unigênito que está no seio do Pai (cf. Jo 1, 18); assim só Ele, do íntimo do próprio Deus, nos podia revelar Deus, revelar-nos também quem somos nós, de onde vimos e para onde vamos.

“Contemplar Cristo!”. Se nós o fizermos, damo-nos conta de que o cristianismo é algo mais e diferente de um sistema moral, de uma série de pedidos e de leis. É o dom de uma amizade que perdura na vida e na morte: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (cf. Jo 15, 15), diz o Senhor aos seus. Nós confiamo-nos a esta amizade. Mas porque o cristianismo é mais que moral, é o dom de uma amizade, precisamente por isto tem em si também uma grande força moral da qual nós, perante os desafios do nosso tempo, temos tanta necessidade. Fidelidade à amizade de Deus. Viver com Ele é viver a sua vida e viver a sua vida é viver os seus mandamentos.

De entre tantos títulos atribuídos à Santíssima Virgem, no decurso dos séculos, pelo amor filial dos cristãos, há um de profundíssimo significado: Virgo Fidelis, Virgem fiel. Que significa esta fidelidade de Maria? E quais são as suas dimensões?

A primeira dimensão chama-se busca. Maria foi fiel, quando, com amor se pôs a buscar o sentido profundo do Desígnio de Deus n’Ela e para o mundo. “Quomodo fiat? — Como poderá ser?”, perguntou Ela ao Anjo da Anunciação. Já no Antigo Testamento, o sentido desta busca se traduz numa expressão de rara beleza e de extraordinário conteúdo espiritual: “buscar o Rosto do Senhor”. Não haverá fidelidade se na raiz não houver esta busca ardente, paciente e generosa; se no coração do homem não se encontrar uma pergunta para a qual só Deus tem a resposta, ou melhor, dizendo, para a qual só Deus é a resposta.

A segunda dimensão da fidelidade chama-se acolhimento, aceitação. O “quomodo fiat“(como poderá ser?) transforma-se, nos lábios de Maria, num “fiat“. Assim se faça, estou pronto, aceito: este é o momento crucial da fidelidade, momento em que o homem entende que jamais compreenderá totalmente o “como”, que no Desígnio de Deus há mais momentos de mistério do que de evidência, e que, por mais que faça, não conseguirá nunca aceitá-lo todo. É então que o homem aceita o mistério e lhe dá um lugar no seu coração, do mesmo modo que Maria conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração (Lc. 2 19; cfr. Lc. 3. 15). É o momento em que o homem se abandona ao mistério, não com a resignação de quem capitula perante um enigma ou um absurdo, mas antes com a disponibilidade de quem se abre para ser habitado por algo — por Alguém! — maior que o próprio coração. Essa aceitação realiza-se em definitivo pela fé que é a adesão de todo o ser ao mistério que se revela. Abramo-nos ao Senhor. Deixemo-nos que Ele habite verdadeiramente em nós. Faça Senhor, em nós, a tua morada para sempre.

A terceira dimensão da fidelidade é a coerência. Viver de acordo com o que se crê. Ajustar a própria vida ao objeto da própria adesão. Aceitar incompreensões, perseguições, mas não permitir rupturas entre aquilo que se vive e aquilo em que se crê: é isto, a coerência. É talvez que aqui que se encontre o núcleo mais íntimo da fidelidade. Mas toda a fidelidade deve passar pela prova mais exigente: a da duração. Por isso a quarta dimensão da fidelidade é a constância. Fácil ser coerente por um ou por alguns dias. Difícil e importante é ser coerente toda a vida. Fácil ser coerente na hora da exaltação, difícil é sê-lo na hora da tribulação. E só pode chamar-se fidelidade uma coerência que dura ao longo de toda a vida. O “fiat” de Maria, na Anunciação, tem a sua plenitude no “fiat” silencioso que Ela repete ao pé da cruz. Ser fiel é não trair nos momentos de trevas aquilo que se aceitou em público.

Que a Virgem fiel, da qual aprendemos a conhecer o Desígnio, a promessa e a aliança de Deus, nos ajude, com a sua intercessão, a subscrever este compromisso e a cumpri-lo até ao fim da nossa vida, até o dia em que a voz do Senhor nos diga: Vem servo bom e fiel; entra na alegria do teu Senhor (Mt. 25, 21-23). Assim seja.

Pe. Leandro dos Santos
Assessor Diocesano do Serviço de Animação Vocacional

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